Postos de combustíveis e distribuidoras em todo o país aumentaram significativamente suas margens de lucro sobre o diesel nos primeiros meses de 2026, em meio à instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio. Dados do Ministério de Minas e Energia indicam que, em alguns casos, esse crescimento chegou a mais de 100%, acendendo um alerta no governo federal e em órgãos de fiscalização.
Segundo o levantamento, a diferença entre o custo de compra do combustível e o preço cobrado ao consumidor disparou desde janeiro. No diesel S-500 — utilizado principalmente por veículos mais antigos —, a margem teve o maior salto, ultrapassando os 100%. Já no diesel S-10, usado por caminhões mais novos, o aumento também foi expressivo, acima de 17%.
O avanço ocorre em meio à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito envolvendo países do Oriente Médio, o que tem gerado forte volatilidade nos preços. Especialistas apontam que, em momentos de incerteza e risco de desabastecimento, o consumidor tende a aceitar valores mais elevados, o que abre espaço para margens maiores ao longo da cadeia.
Apesar disso, representantes do setor negam prática abusiva e afirmam que o aumento das margens está ligado à elevação de custos operacionais, como frete, importação de combustíveis e despesas logísticas. Ainda assim, o cenário preocupa o governo, que teme que os ganhos do setor anulem medidas adotadas para conter o preço do diesel, como a redução de impostos e subsídios.
Diante das suspeitas, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) intensificou a fiscalização em diversos estados. Uma operação recente resultou em autuações e interdições de estabelecimentos por indícios de preços considerados abusivos. As penalidades podem chegar a centenas de milhões de reais, dependendo da gravidade das irregularidades.
O aumento dos combustíveis, somado às margens ampliadas, pressiona o custo do transporte e pode impactar diretamente o preço de alimentos e outros produtos, ampliando o peso no bolso do consumidor brasileiro.
